Foi aos nove anos de idade e nas páginas do inesquecível “O
Falcão” que tomei conhecimento deste herói que não tardou a entrar para a
galeria dos meus favoritos. Era sempre com muita impaciência que esperava pelo
numero seguinte da pequena revista na esperança de ver publicada mais uma das
histórias do “Primeiro Detective do Espaço”, como a imprensa inglesa o
publicitava. Claro que isto só o soube muitos anos mais tarde. Naquela altura
era apenas o herói que descobria planetas e desvendava mistérios. E nos
intervalos das histórias de Rick Random, lá tinha de me contentar com as
aventuras do Major Alvega, do Ene 3, do Dogfight Dixon, e de outros que
intercalavam com ele. (o que, convenhamos, não era sacrifício nenhum... mas
disso falaremos mais tarde) Cheguei a ter todas as histórias publicadas no
Falcão 2ª série, mas infelizmente contam-se pelos dedos de uma mão os
exemplares que ainda me restam. Vou tentar repor os que faltam...
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1ª pagina de Terror from Space, na reedição de 1963 do Buster Annual |
Rick Random surgiu pela primeira vez no número 37 da revista
inglesa Super Detective Library da
Amalgamated Press, em Setembro de 1954, uma das primeiras revistas a
introduzir o formato de bolso na BD Inglesa. Foi da cabeça de Edward Holmes que
surgiu a ideia do detective que trabalhava para o Interplanetary Bureau of
Investigation, entidade gerida pelo Conselho Interplanetário criado para
liderar a Terra após a devastação provocada no planeta pelas guerras do final
do século XX. A sua missão era resolver os múltiplos crimes que ocorriam nos
mundos e nas naves do Conselho.
Holmes estabeleceu os traços gerais da série e escreveu o
primeiro episódio Crime rides the
spaceways, com desenho de Bill Lacey (publicado em Portugal no Falcão nº65 e reeditado no nº886
da 2ª série, com o titulo Crime nas Estradas
do Espaço). Seguiram-se mais 26 episódios escritos por Holmes,
Conrad Frost, Adrian Vincent e Dick Wise numa fase inicial, e a partir de 1956,
pelo jornalista científico Canadiano Bob Kesten que em 1958 passou a contar
também com a colaboração de Harry Harrison um escritor de livros de
ficção-cientifica americano que tinha chegado a Inglaterra nesse ano. Foi com
Kesten e Harrison que as histórias adquiriram um maior interesse.
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'Kidnappers From Space', ou a arte magistral de Ron Turner. |
Se Bill Lacey desenhou o primeiro episódio foi com a chegada
de Ron Turner que a série atingiu o apogeu gráfico. Turner era dono de um traço
muito singular e facilmente identificável, e de uma fértil imaginação de onde
saíam veículos, paisagens e cidades verdadeiramente fantásticos. A série não
era apenas apelativa do ponto de vista visual, pois é preciso não esquecer que
na altura, o homem ainda não tinha ido ao Espaço, e havia uma maior liberdade
na escrita de histórias de ficção-cientifica que não estavam sujeitas a grandes exigências a nível de compatibilidade com a ciência, por assim dizer. Dessa
liberdade criativa tanto podiam sair animais de aparência pré-histórica coabitando
com homens em planetas distantes de vegetação luxuriante e estranhas cidades
tecnológicas, mas aonde se chegava num instante a bordo de naves de aspecto
fabuloso, ou cientistas maléficos e loucos cujo objectivo era dominar o Mundo nem
que para isso tivessem de apagar o Sol, ou mesmo expedições a Planetas tão
próximos do Sol que à luz da ciência nunca poderiam ser visitados, quanto mais
habitados. Porem nesses bons velhos tempos tudo isso (e muito mais) era
possível.
E claro, para uma criança de nove anos, que sabia ler há
pouco tempo, que não tinha televisão, computador, videojogos, tudo isto era
simplesmente fascinante e obrigava a puxar pela imaginação.
A seguir, a cronologia dos episódios. Até lá.
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